sexta-feira, 2 de julho de 2010

Fortes emoções - o avô


Como prometi, aqui estou eu novamente para registrar um dos momentos mais emocionantes da minha gravidez: a notícia para o avô, meu pai.  Acho que a maioria de vcs sabem que papai passou a ter uma única filha (...)  Ficou na lembrança as memórias da pelada no fim de semana, das discussões sobre comentários esportivos até de times de segunda divisão (?!)  Era repetitivo todo final de domingo ver meu irmão e meu pai, sempre discordando sobre aqueles infindáveis lances de futebol que os comentaristas viam mil vezes e o árbitro tinha apenas uma fração de segundo para decidir.  Nunca entendi como alguém conseguia gostar disso, mas pelo que pude entender, apesar do ambiente parecer desagregador, eles adoravam!!  Isso sem contar todas as discussões sobre política.  Um partidário de esquerda e o outro de direita convicta...  Imagine que vez ou outra meu pai até tentava falar sobre futebol comigo, me dizendo todos os lances errados, as atitudes dos jogadores... eu não sei nem a escalação completa da seleção brasileira (...)  Isso sem contar a alegria que via no seu rosto toda vez que meu pai tinha algum convívio com uma criança.  Acho que da mesma forma que tínhamos vontade de sermos pais, meu pai queria ser avô.
         Bom, assim que soube, é claro que quis contar para o mundo inteiro, mas tinha que ser especial e também tive que esperar meu pai voltar de Vitória – ES para fazê-lo.  Até que coincidentemente, meu pai não demorou muito a chegar.  Três dias depois ele me liga para dizer que na quarta-feira, 10/03, ele estaria de volta com D. Graça.  Como estava ansiosa em contar para ele a novidade...  Foi a noite, depois do meu curso.  Lá pelas 11 horas da noite, cheguei em casa e me lembrei que tinha comprado o primeiro item do bebê para comemorar.  Aí tive a idéia: vou dar este presente ao meu pai.  Chamei Tadeu e contei a ele minhas intenções.  Ele concordou e colocamos nosso plano em prática.
- Paai, eu e Tadeu gostaríamos de te dar um presente, pode vir aqui no quarto?
         Rapidamente peguei o pequeno embrulho, escondi atrás de mim e dei o braço ao Tadeu.
- É o nosso presente para o senhor.
         Ao ver o pacote, D. Graça comenta:
- Que bonito, será que é uma sunguinha?
         Achei que ela tinha entendido, afinal para nós, parecia tão óbvio.  Eu queria tanto fazer uma surpresa...  Meu pai toma cuidado ao abrir e o suspense só aumentava.  Quando finalmente ele abre o pacote, apenas deixa revelar um minúsculo pedacinho do seu conteúdo, mas o suficiente para qualquer um entender o que era: um sapatinho de bebê.  A primeira reação que vi dele apenas fitava sua companheira.  Enquanto D. Graça estava eufórica com a notícia e nos parabenizava repleta de felicidade e nos abraçando, não nos demos conta que papai estava no cantinho escorado na parede... ele virou-se de costas e como uma criança, escondeu o rosto por trás do braço.  Não queria que víssemos, mas os soluços denunciavam...  Quando o chamamos e nos deparamos com seus olhos vermelhos e mareados, nenhum de nós pode conter a sensação de vê-lo emocionado.  Até então, só tinha visto meu pai chorar umas duas vezes...  Fora um momento único.  Não há palavras que descrevam a felicidade que tomou conta de todos.  Principalmente se lembrar que no dia seguinte costumávamos comemorar o aniversário do meu irmão...  Não sei se passou isso pela cabeça dele, mas sem dúvida eu lembrei.  A vida é assim mesmo, uns vão e outros vêm (...)  O mais maravilhoso disso tudo é o quão amado, desejado e querido será nosso filhote, e que a felicidade tomou conta da nossa casa.

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